segunda-feira, 16 de novembro de 2009

DEPRESSÃO PÓS FEIRA DO LIVRO


Estive nesse fim de semana na Feira do Livro de Porto Alegre, pela segunda vez este ano. Para quem não sabe, a feira do livro de Porto Alegre, que está em sua 55° edição, é a maior feira de livros ao céu aberto da América Latina.

Passear na feira é uma delícia. Um local muito agradável, muitas opções de livros, encontrar amigos, professores, celebridades da cena local. A feira é, realmente, tudo de bom.

Mas, então, porque a depressão? Bom, vou tentar explicar o que acontece:

Chegando a feira, e dando as primeiras conferidas nas bancas, toda pessoa que adora livros, assim como eu, fica maravilhado. Centenas de opções, descontos consideráveis. Você olha e vê aquele livro que estava com vontade de ler há tempos, daqui há pouco repara outro livro o qual leu uma crítica super interessante sobre ele, do lado tem um que seu amigo disse ser ótimo, dá uma olhada na orelha de outro e acha super interessante.

Você olha umas dez bancas e não resiste, compra alguns livros para você, outros para sua namorada, um para os seus pais, para os afilhados, para dar de presente a um amigo. Daí percebe que sua verba está ficando escassa, e tenta se segurar para não estourar o cartão. Mas aí, andando em mais bancas, encontra os clássicos. Vejo um Dostoiévski me encarando e me perguntando: “Você não vai me deixar aqui né? Você tem que me levar!”, mas aí tem outro clássico ao lado dele, um Balzac da vida me dizendo: “Não, eu é que tenho que ser levado”. Você lembra a grana que tá curta, e pensa quem deve levar. Até que mais adiante aparecem os franceses: Rousseau, Voltarie... levo ou não levo? Que vontade de levá-los todos. A depressão aumenta cada vez mais, além da grana, você lembra que não terá tempo de ler a todos! Óh mundo cruel, agora, o que eu faço? Então vem os nóbeis pedir sua atenção: Saramago, Gabriel Garcia Marquez: “Você não vai deixar um prêmio Nobel aqui abandonado, vai?”. Shakespeare, Joyce, Vitor Hugo me chamam a atenção, Kerouac que ir para a estrada, os alemães gritam mais adiante, como deixar Goethe ou Nietzsche aqui ? Mas Marx vem me lembrar que já estou sem capital. Oh, dúvidas cruéis.

Encontro meus conterrâneos a espera de atenção também! Vejo o Érico Veríssimo, com seu filho Luis Fernando esperando que eu lhes dê abrigo lá em casa, Cecília Meireles, Lia Luft e Raquel de Queiroz fazem pose para que eu as leve. Encontro Drummond, que reforça o meu “hábito de sofrer, que tanto me diverte.”. Caio Fernando Abreu me oferece “Morangos Mofados” e Nélson Rodrigues tentando me mostrar “A vida como ela é”. Encontro pelas bancas alguns Paulo Coelhos, bruxinhos e vampirinhos órfãos, tão em moda atualmente, mas para esses eu viro a cara. Vejo as biografias, tantas, tão variadas, tão intrigantes, tão fascinantes. Isso sem citar os livros técnicos, que tanto podem te auxiliar na vida profissional, os infantis, como é bom ler um livro com uma criança!

No caminho para casa minha angústia só faz aumentar: Será que deveria ter levado este ao invés daquele? Será que aquele outro estava tão caro mesmo? Como fui deixar aquele outro abandonado lá? Será que minha garota não iria gostar mais daquela outra opção do que esta que estou levando? E meu amigo, não preferiria outro título?

Mas o bom da história, é que essa angústia e depressão só dura até chegar em casa e poder finalmente mergulhar nos livros que compramos, aí toda dúvida se esvai e a diversão começa, não sem uma outra dúvida também : Por qual deles começar ???

Mas depois de escolhido, é só começar a leitura. E esperar até a próxima feira, onde toda essa dúvida voltará novamente.