quarta-feira, 23 de julho de 2014

Vídeos Motivacionais


Sempre tive receio e um certo preconceito sobre vídeos motivacionais. Em regra eles seguem a mesma receita: imagens bonitas (geralmente de paisagens), músicas com belas letras e/ou inspiradoras, um sábio/mestre ou pessoa mais experiente dando lições de vida ou exemplos de sucesso e superação. Não gosto de nada disso.

Entretanto dias desses encontrei esse vídeo. A princípio ele não segue quase nenhum item da receita acima. Pelo contrário, ele é um verdadeiro tapa na cara. Tem imagens escuras, um sujeito gritando com você e dizendo verdades que muitas vezes não queremos saber. “O mundo não é um arco-íris, é um lugar sujo e malvado” e “Ninguém vai te bater tão forte quanto à vida, ela vai te derrubar, te deixar de joelhos”. Ok, nada de tão original, mas num vídeo motivacional, é a primeira vez que vejo.

Uma dessas frases em especial me tocou. Ela diz assim: “A maioria de vocês não querem ter sucesso, só “meio” querem (...) vocês não querem o sucesso mais do que querem dormir”.

Todos que me conhecem ou seguem o blog sabem o quanto amo escrever e a necessidade que sinto nisso. Mas, mesmo assim, esse blog hibernou por 2 anos. Mas como uma pessoa que adora escrever fica dois anos sem fazê-lo? Pois bem, como diz o vídeo, quero mais dormir do que fazer o que gosto.

O dormir é uma metáfora que se encaixa em diversas atividades. O deixar pra depois, descansar primeiro, quando sobrar um tempo eu faço. E nos acostumamos com isso. E assim vamos nos afastando dos nossos amigos, dos exercícios que tínhamos que fazer, das coisas que gostamos, e dos nossos sonhos.

E assim vamos levando a vida, “meio” querendo fazer as coisas, mas sem nos cansarmos. E quando nos damos conta, percebemos quanto tempo já perdemos. Até que alguém, ou algum vídeo desse, venha e nos dê um tapa na cara, nos mostrando a realidade que está a nossa frente e relutamos em ver.

Então, como diz o Gabriel Pensador “Aprenda a viver, descanse quando morrer...”. A vida passa muito rápido, temos tantas coisas grandes para conquistar. Deixe sua acomodação de lado, deixa para descansar somente quando não aguentar mais, e vamos fazer de nossa vida algo espetacular. Eu sei que falar é fácil, mas força de vontade é tudo. Não vamos apenas “meio” aproveitar a vida.

Levante e siga em frente. Você tem o poder.







quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Qual sua perda de maior valor ?



Um interessante ponto de vista frente a destruição completa causada pelo furacão Sandy na semana passada.




O furacão Sandy atingiu os Estados Unidos na semana passada, fato que foi muito divulgado e espetácularizado pela mídia. O fenômeno destruiu milhares de casas e fez centenas de mortos.

Na noite de ontem passou na tevê uma matéria do CQC sobre o fato. O repórter mostrava os estragos do furacão e uma mulher olhava para a sua casa que foi consumida pelo fogo. Ela fugiu antes do ciclone atingir sua casa, mas não conseguiu salvar quase nada.

Vendo a cena, o repórter se aproxima e pergunta: “O que de mais valioso a senhora perdeu?”. Ela olha para os escombros que restaram da sua casa, e pensa um pouco...

Conhecendo um pouco da cultura americano e do seu estilo de vida, sabemos que é a sociedade mais consumista do mundo. Sendo assim, com a pergunta do repórter, logo imaginamos que ela iria se queixar de carros que talvez tenham ficado na casa, eletrodomésticos, eletrônicos... alguma coisa do tipo.

Mas, para surpresa minha, ela responde: “O que de mais valioso eu perdi foi o meu caderno de anotações e recados.” O jornalista se surpreende: “A coisa mais valiosa que a senhora perdeu foi um caderninho de recados?”. Ao que ela complementou: “Sim, foi meu caderninho. Havia dezenas de recados, anotações, fotos. Tinha toda a história de uma vida guardados nele. E isso não há como recuperar”.

Grande e surpreendente resposta. Como já citei, na sociedade mais consumista do mundo, ouvir uma resposta dessa é uma grande raridade. E ela não deixa de ter razão. Seu caderninho deveria ser uma espécie de agenda, onde ela deve ter guardado centenas de anotações, rabiscos e lembranças.

São anos de vida registrados. Momentos de vida felizes e outros tantos tristes. Trata-se de recordações de uma vida. Experiências adquiridas ali guardadas. Anotações de que a vida não passou em vão, de que se tem uma história, momentos para reviver e recordar. Momentos, pessoas que não passaram em vão, que acrescentaram pelo menos uma linha no nosso livro da vida.

E você, como tem guardado suas recordações e experiências de vida? Como tem isso protegido se vier um furacão e bagunçar completamente sua vida? Ou você tem deixado a vida passar em vão, sem escrever uma linha na história de sua vida?

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

ESTEIRA DA VIDA


Dois amigos conversavam exacerbando seus problemas e supervalorizando seus dramas. Foi quando um deles colocou uma metáfora para ilustrar sua aflição. Disse ele: “A vida, muitas vezes, se parece com uma esteira. Corremos, nos esforçamos, mas não chegamos a lugar nenhum”.

A sua analogia faz sentido. Por diversas ocasiões na vida traçamos metas, definimos objetivos, mas por algum motivo não chegamos aonde queríamos. Sonhamos com aquele emprego que sempre quisemos, ou aquele carro, ou ainda uma casa própria, ou mesmo qualquer outra meta. Mas a vida parece ter vontade própria, e por mais que busquemos aquele objetivo, sempre parece ter algo que nos desvia dele. Lutamos, corremos em busca, procuramos nos qualificar, nos preparar o máximo possível para quando o momento certo chegar, e no entanto as coisas não acontecem.

Então bate em nós aquelas dúvidas cruéis: Será que vou vencer? Será que não estou botando dinheiro fora? ? Será que não é perda de tempo investir nisso? Será que aqueles que vão vencer já nasceram pré-determinados, o famoso “virado pra lua”?


Mas, como já dizia o grande William, temos de ter cuidado com nossas dúvidas. “Não passam de traidoras as nossa dúvidas, pois elas nos privam do que seria nosso se não tivéssemos receio de tentar” (William Shakespeare).

E é isso mesmo. Por mais percalços que tenhamos em nossas vidas, por mais distante que nossos objetivos possam estar, não podemos desistir. Ter paciência e fé é essencial. E mesmo que não consigamos vencer, valeu a luta. É melhor perder com a certeza de que fizemos tudo da melhor maneira que poderíamos ter feito, do que desistir de nossos sonhos e viver uma vida frustrada.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

quarta-feira, 7 de março de 2012

Jack Kerouac

Um pensamento de Jack Kerouac, um dos meus escritores preferidos. Vale a pena dar uma lida em alguns de seus livros. Fica a dica.


"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os criadores de caso. Os pinos redondos nos buracos quadrados. Aqueles que vêem as coisas de forma diferente. Eles não curtem regras. E não respeitam o status quo. Você pode citá-los, discordar deles, glorificá-los ou caluniá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Empurram a raça humana para a frente. E, enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como geniais. Porque as pessoas loucas o bastante para acreditar que podem mudar o mundo, são as que o mudam."







Jack Kerouac


terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A VOLTA DE ALAN, O ALIENADO


Alan é um alienado. Não lê, não escreve, não pensa. Não gosta de estudar, nem de ler jornais, só gosta de malhar. Prefere exercitar os bíceps do que o cérebro. Playboy filho de pai rico, acha que a vida é só festa e curtição. Sonha em participar de um Big Brother ou qualquer outro reality show que o torne famoso sem precisar fazer nada de importante.

Este alienado gosta de se espelhar nos “bonitões” do reality show para tentar se sentir uma celebridade, e assim satisfazer seu egocentrismo vaidoso e mesquinho, vazio e supérfluo. E também para pegar mais menininhas, que anota em seu caderninho de conquistas.

Alan está na época do ano que mais gosta, onde só se fala em BBB, futebol e carnaval. Mal sabe ele que é a época de que os políticos mais gostam ele. Alan nem ficou sabendo da volta de Jader Barbalho ao senado, que já faz algum tempinho, pois estava se preparando para o carnaval enquanto discutia as contratações de seu time.

Falando em futebol, Alan também desconhece da misteriosa viagem do presidente da CBF, o senhor Ricardo Teixeira, que em meio a denúncias de corrupção juntou suas malas e se foi aos Estados Unidos, deixando seu cargo vago e sem dizer se vai renunciar ao cargo ou apenas uma licença sem tempo pré-determinado.

Mas a única notícia que Alan que, e precisa saber nesse momento, é quem vai ser a escola de samba campeã e quem vai sair no paredão dessa semana. O resto? Ah, o resto é o resto e ele não tem tempo para se preocupar com isso.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

A ESTREIA E O RETORNO

O dia 10 de Janeiro marca uma estreia e um retorno.  Restauro esse blog que estava parado desde o dia 11 de Outubro. Foram dois meses apenas, mas aconteceram diversas coisas na minha vida, algumas muito boas, outras nem tanto. Mas é da vida, não tem como ser diferente.

Já a estreia é por conta do poeta, jornalista e escritor Fabrício Carpinejar no programa gaúcha Hoje, comandado pelo grande jornalista Antônio Carlos Macedo. O programa é um noticiário matinal, mas que agora terá um toque pessoal, uma visão poética do cotidiano, um olhar mais apurado do comportamento humano.

Para quem não conhece Carpinejar, vale a pena pesquisar um pouco sobre ele, ou que sabe segui-lo no twitter.

Bom, vamos acompanhando com o tempo como vai ser a participação do poeta na rádio, e se esse blog vai voltar as atividades normais. Quem viver, verá.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

15 anos sem Renato Russo


Hoje completa 15 anos que morreu um dos maiores músicos e compositores da música brasileira. No dia 11 de Outubro de 1996 o cantor falecia aos 36 anos em consequência de problemas decorrentes da Aids.

Quando adolescente, fui um grande fã da Legião Urbana. Como sempre gostei muito de ler e escrever, deliciava-me com suas letras, algumas quilométricas, suas referências e metáforas. Procurava decifrar mensagens escondidas atrás das letras, ou imaginar o fato que inspirou Renato a escrever determinados versos.

Renato utilizave-se muito de referências literárias ou filosóficas em suas canções. O próprio nome que o cantor adotou, o Russo, faz referência ao grande filósofo Rousseau. Quem conhece um pouco das letras de Renato e tem uma boa base literária, encontrará referências em diversas músicas. É um interessante jogo cultural.

Lembro-me das dezenas de noites que passava com os amigos a beira de uma fogueira, bebendo um bom vinho e cantando as músicas da Legião. Por causa das músicas serem fáceis de tocar, qualquer um que arranha-se um violão conseguia tocar as músicas da banda. Mas o mais importante nem era a melodia, mas a mensagem que as canções trazem.

Não é a toa que hoje, mesmo 15 anos depois de sua morte, suas letras continuam a serem tão relevantes. Que País é Esse e Música Urbana 2, que fazem uma crítica a política e ao povo brasileiro, respectivamente, parecem que foram escritas ontem. Numa época de sucessos descartáveis, de letras sem conteúdo, as músicas da legião parecem eternas.

Esse ano foi produzido pela Vivo um comercial que conta a história de Eduardo e Mônica. Ficou muito bom, vale a pena conferir:
http://www.youtube.com/watch?v=gJkThB_pxpw&feature=relmfu

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DE REPENTE 30


E foi assim de repente, não mais que de repente, que ela acordou assustada, vinte minutos antes do despertador tocar. Habitualmente ela sempre relutava em sair da cama, chegava a levantar-se quase uma hora após tocar o relógio, e isso que ultimamente estava dormindo cada vez mais cedo. Talvez o sono lhe servisse de subterfúgio para fugir da realidade, pois enquanto repousava ela dava um tempo dos problemas cotidianos.

Deu um salto da cama e posicionou-se frente ao espelho. Com certo espanto admirou-se, analisou-se. Quem era aquela mulher que o espelho refletia? O que aconteceu com o corpo que outrora tinha? Olhava-se e via um rosto amassado, cansado e com olheiras. Tocou seus seios murchos e caídos, sua barriga com estrias, apesar de não ter filhos. Outrora tinha uma tezsuave e macia, mas hoje sua pele era seca e áspera.

 O que acontecera com aquela mulher cheia de vida, de animação, que estava sempre alegre e bem disposta? Seu corpo já não possuía mais curvas, estava cada vez mais magra. Não que estivesse doente ou coisa parecida, mas nem para comer tinha mais ânimo. Seu cabelo, que um dia foi motivo de orgulho, hoje não passava de um emaranhado de fios opacos e sem vida. Tinha um olhar triste e desanimado, transpassava uma fragilidade e um penar que não refletiam com sua personalidade.

Ainda de frente ao espelho, enxergou deitado na cama o corpo gordo daquele estrupício com quem morava há um ano e meio. Depois de dezenas de experiências desastrosas e mal sucedidas, resolveu unir-se ao primeiro cara que quisesse dividir as despesas com ela. Nunca gostou dele de verdade, mas tampouco foi amada.

Tinha certeza de aquele canalha não lembraria que hoje ela estava completando trinta anos. Nem seus raros e escassos amigos, ou seriam apenas conhecidos? Nem ela sabia mais o que eles eram.

A sua mente vieram todos os seus sonhos que nunca foram realizados. Queria ser arquiteta, mas sequer chegou a faculdade. Aspirava uma casa grande, com jardim, cachorros e filhos correndo pelo gramado, mas tudo o que possuía era um quitinete num prédio cheio de infiltrações, mau cheiroso e com vizinhos suspeitos.

O relógio avisava que estava quase na hora de ir trabalhar. Odiava o seu ofício. Era cobradora de ônibus, sua linha transportava trabalhadores braçais fedorentos e mal educados. Tinha que aguentar as cantadas medíocres e grosseiras daqueles brutamontes.

Mas apesar de tudo não perdia as esperanças de uma vida melhor, sabia que um dia a sorte iria lhe sorrir. Apesar de tudo, nunca deixara de sonhar com um futuro bom. Apesar dos percalços da vida, sempre fora uma mulher batalhadora e honesta, uma verdadeira lutadora, que não se conforma com sua realidade, que caí, mas levanta e segue em frente, pois sabe que a vida tem que ser melhor do que a realidade que ela conhece. Se vai vencer ela não sabe, mas não se permite desistir.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

DESLEIXADOS

Semana passada, no dia do amigo, escrevi sobre amizade, por obviedade. E nesse contexto uma grande amigo, um dos que mais admiro, me escreveu comentando sobre o texto. E num trecho do seu e-mail ele falou sobre como somos desleixados. E ele tem inteiríssima razão.

Acredito que na maioria das vezes nem percebemos o quanto somos desleixados. Por puro descuido, e na grande maioria das vezes nada mais que isso, deixamos para a semana seguinte para visitarmos um amigo que queremos ver, e naquela semana acabamos não podendo ir e adiamos para a seguinte, que bate uma preguiça e deixamos para a próxima ainda, que surge um compromisso e nos impossibilita a visita. E acabamos por deixar o tempo passando, passando, e quando vemos, já faz meses, anos, que não visitamos aquela pessoa querida.

E isso se aplica a quase todos os setores da nossa vida. Sabe aquele e-mail que queremos escrever para alguém, e vamos deixando pra depois? Ou aquele conserto na nossa casa, aquela viagem, a dieta, aquele cursinho que vamos adiando, e as vezes acaba caindo no esquecimento e nunca realizamos? Tudo desleixo.

Existe um texto maravilhoso, que alguns atribuem a Vitor Hugo, e outros a Marina Colasanti, e alguns outros ainda a Clarice Lispector, que por desleixo não pesquisei para descobrir o verdadeiro autor. O texto chama-se “Eu sei, mas não devia”. Ele fala sobre as coisas do cotidiano que acabamos nos acostumando, mas que não deveríamos. Coisas como comer qualquer coisa no café da manhã porque estamos sempre atrasados, a estarmos sempre com pressa, a nos acostumar com as pessoas mal educadas, impacientes e grosseiras.

Assim também é conosco, quando nos acostumamos a não ter tempo pra nada devido a correria de nossas vidas, quando esquecemos de dizer “eu te amo” pela falta de tempo, quando deixamos de abraçar os amigos ou de simplesmente admirar a beleza da vida. Não refletimos sobre a vida, não vemos as cores da natureza, nos acostumamos com políticos corruptos, com as injustiças e com nossa eterna insatisfação.

Eu sou desleixado, e você também é que eu sei. E por conta disso acabamos nos acostumando a deixar de fazer coisas que gostaríamos muito, e por causa disso só as fazemos por obviedade em datas específicas. Mandamos e-mail’s para os amigos porque é o dia do amigo, ligamos para as pessoas porque é seu aniversário, compramos presentes devido ao dia das mães, dos pais, dos namorados. Presenteamos as pessoas que gostamos porque é natal. Acabamos por fazer simplesmente coisas óbvias, por puro desleixo do nosso cotidiano. Assim como aquele texto óbvio que escrevi semana passada.

Acabamos vivendo no automático, sem conhecer profundamente as pessoas, sem aproveitar intensamente os momentos especiais. E a obviedade acaba por tirar toda a beleza da nossa existência. E nos acostumamos a isso, por puro desleixo.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

AMIGOS

Post a pedido de uma amiga muito querida e especial.


“Meus bons amigos /Onde estão?
Notícias de todos / Quero saber
Cada um fez sua vida/ De forma diferente
Ás vezes me pergunto:/ malditos ou inocentes?”
(Barão Vermelho)

Tenho centenas de fotos guardadas em casa. Fotos antigas, de um tempo em que não haviam máquinas digitais, que tínhamos que comprar filmes e depois revelar. Tempo em que todos paravam para fazer pose, pois uma foto era uma coisa fora do comum, registrar aquele momento era algo mágico, e depois a expectativa de vê-las reveladas, a alegria de recordar aqueles momentos ou a decepção de ver que elas não ficaram boas. Gastei uma boa grana em revelações fotográficas, mas não me arrependo, foram de um tempo em que eu era feliz, e sabia.

E vez em quando bate uma nostalgia e revisito as fotos. Guardam momentos marcantes, engraçados, passeios, lugares, flagras ... mas o mais importante é que elas guardam a recordação de pessoas que marcaram muito minha vida, que tenho enorme prazer de um dia ter a oportunidade de chama-los de AMIGOS. Tenho orgulho de ter compartilhado com eles momentos de suas vidas, frustrações e alegrias, sonhos e confidências.

Novos amigos sempre são importantes e bem vindos, mas aqueles que conhecemos na nossa infância ou adolescência são especiais. Temos uma história compartilhada, conhecemos como se formou sua essência, seu caráter. Sabemos o que eles acreditaram um dia, o que sonharam, e com isso podemos ver o que conquistaram, onde chegaram e assim ter noção da importância de suas conquistas ou o tamanho de suas frustrações.

“Cada um fez sua vida/ de forma diferente” não poderia ser de outra maneira, cada um seguiu seu rumo, seu destino, seguiu suas verdades. A vida é assim, e tem de ser. Mas quando me pergunto se são “malditos ou inocentes” é porque, apesar da distância que separam alguns, muitos não quiseram mais manter contato, preferiram apagar páginas e personagens de suas vidas. Fizeram sua escolha, e esperam que estejam feliz com ela.

Cada pessoa tem os seus valores. Uns valorizam a profissão, se qualificam, estudam, se dedicam ao trabalho. Outros valorizam a o ambiente familiar, constituem família, criam seus filhos. Alguns valorizam o dinheiro, outros o prazer, o sexo. E nisso todos são, de certa forma, inocentes, pois buscaram o que é verdadeiro para si mesmo.

Não os culpo. Pra ser sincero, só às vezes. Sei que cada um tem uma realidade diferente e um cotidiano corrido, como são com todas as pessoas. Mas por mais que me digam o contrário, acredito que sempre poderíamos reservar um momento para as pessoas que marcaram nossas vidas, para aqueles que nos fazem bem. Mas infelizmente nem todos pensam assim. A vida os transformou.

Viver é conquistar, ter experiências, cultura, amigos, um grande amor; viver também é perder, diminuir a destreza muscular, o reconhecimento social, a vitalidade social. Viver é encantar com os outros e ter expectativas correspondidas; viver também é desencantar e ter expectativas esfaceladas. O drama e o lírico sempre nos acompanham. (Cury 2008). Mas quando dividimos essas experiências com aqueles que nos conhecem profundamente, conhecem nossa essência, conhecem nossa história de vida, é muito melhor.

Amigo de verdade é aquele cara que você reencontra, depois de cinco ou dez anos, e percebe nele aquele brilho no olhar, aquela admiração mútua, aquele abraço apertado e caloroso. É aquele sujeito que, mesmo há tanto tempo separado, sabe muito sobre você, está ansioso para compartilhar suas experiências e que, acima de tudo, sempre soube que mesmo distante estava torcendo por você e que só quer o seu bem.

Quando olho aquelas fotos me pergunto onde estão aquelas pessoas que eram parte de mim? Aqueles sujeitos que viravam noites, muitas vezes regadas a vinho, filosofando sobre suas verdades adolescentes e sonhando com um futuro perfeito? Aqueles sujeitos eram uma grande família, que sabiam que apesar de qualquer dificuldade poderiam sempre contar uns com os outros.

Será que mudamos tanto assim em dez ou quinze anos? Será que a personalidade, o caráter de cada um se transformou tanto? Não acredito. Mas seguimos nosso caminho, continuamos a falar e escrever com aqueles que valorizaram uma amizade e mesmo distante, nunca perderam o contato. E quando reencontramos aqueles que preferem continuar só ao lado dos novos amigos, vamos nos cumprimentar, perguntar superficialmente como estão e marcar um compromisso que nunca sairá do papel.

domingo, 29 de maio de 2011

COMENTARISTAS DE RESULTADOS


No Brasil acredita-se que todo mundo entende de futebol. Mas, na realidade, o que é entender de futebol? Para a grande maioria das pessoas compreender as regras e identificar se time A ou B jogou bem ou não determinada partida já se trata de entender o futebol e, de certa forma, não deixa de estar certo. Mas quando se trata de imprensa especializada, o “entender” não deveria ser tão simplificado assim.

 É muito fácil ser comentarista de futebol no Brasil, basta falar o óbvio, fazer algumas previsões sem nenhuma base concreta e comentar os resultados das partidas. E com essa proliferação de debates esportivos aos domingos, aumentou muito o número de comentaristas de futebol, pena que a qualidade é cada vez menor.

Para a grande mídia, qualquer pessoa que fale um pouco mais articulado pode ser comentarista, mesmo que saiba muito pouco ou quase nada sobre futebol. Ou então, o que mais se vê, qualquer ex jogador. Mas aí esse cara é o dono da razão e, por já ter entrado em campo tempos atrás, mesmo que não jogasse grande coisa, acredita que sabe tudo sobre os bastidores do futebol e quem é, ou não, um bom jogador. Considera-se o dono da verdade. E isso sem falar de comentaristas que vendem críticas positivas ou negativas.

Eles difundem e defendem “Teorias do achismo”. “Acho que tal treinador vai jogar com tal esquema, vai entrar com tal jogador...”, mas com nenhuma análise ou argumento concreto para sua teoria. Um esquema é bom enquanto está ganhando, depois de duas ou três derrotas o esquema já está obsoleto e não presta mais.

Se perde um jogo, o time não presta, não vale nada. Na outra partida, vencendo, é o melhor do mundo. Após uma derrota, não tem time, nem elenco, o esquema é ruim e o treinador já está desgastado. Mas se na semana seguinte seu time vencer bem, tudo muda. Da água para o vinho em 90 minutos.

Mas poucos se atrevem a falar de esquemas táticos, suas complexidades ou estratégias. O máximo que se aventuram é arriscar os esquemas propostos pelas escalações, mas não comentam, ou não identificam, suas complexidades e variações dentro de campo, provando suas pobres e limitadas visões sobre o futebol.

E isso falando no futebol brasileiro, que é acompanhado mais de perto e com mais intensidade. Quando se fala em futebol internacional, as bobagens são ainda maiores. A situação mais melancólica que assisti foi essa http://ocioiluminado.blogspot.com/2008/05/futebol-e-comentaristas-de-internet.html.

Eles vivem exaltando novas revelações no futebol. A falta de ídolos, de craques dentro do futebol brasileiro, devido a grande debandada de atletas para o exterior, faz com que qualquer jovem promessa ou atletas apenas médios com algum destaque, torne-se futuro craque. Um ídolo forçado e momentâneo, quem com o passar do tempo cairá de produção e logo se irá perceber que tudo o que se acreditava sobre ele, foi apenas exagero . Mas aí surgirão outros ídolos momentâneos...

Porém, eles tem o privilégio e a sorte de estarem na mídia. Pena que não aproveitam bem os espaços que ocupam.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

O DIA EM QUE A TERRA (QUASE) PAROU

Onde vamos parar, ou melhor, andar ?


Vinte de abril de 2011, véspera de feriadão. Não, não foi esse o dia que a terra parou. Mas foi quase...

A cada véspera de feriadão tem sido assim, e cada vez a situação piora mais. Rodovias que, até então, não sofriam desse problema, como a BR-386, tem sentido essa realidade. E não adianta apelar para os ônibus ou aviões, o caos se instalou atormentando quem pretende viajar.

Mas essa situação não se instala apenas nas vésperas de feriadão, diariamente sentimos a rotina dos congestionamentos em nossas cidades. Porto Alegre, Rio, São Paulo e até as cidades pequenas estão sofrendo com os problemas de trânsito. Engarrafamentos diários, tranqueiras, falta de rotas alternativas, transporte público ineficaz e consequentemente mau humor e stress nos motoristas e na população que sofre com essa realidade.

Não se vê investimentos em estradas, em infraestrutura, em novos meios de transporte público. As obras que começam a serem feitas agora não são para evitar o problema, mas para desafogar situações caóticas, como na BR 116 na região metropolitana.

Mas a alternativa, a rodovia do parque, quando estiver pronta, provavelmente não irá suprir a demanda de carros, tamanha deverá ser a frota neste momento. O poder público age de forma errada, em vez de tentar evitar os congestionamentos, só age para tentar remediar o problema, enquanto isso ele se agrava cada vez mais. Assim, sempre estaremos correndo atrás da máquina.

O transporte público que dispomos atualmente é caro, é lento, é demorado e super lotado. Não supre a necessidade da população. Ninguém que tenha condições de ir para o trabalho ou faculdade de carro deixará de fazê-lo para ir de transporte público.

O governo anuncia obras no trem, reformas em rodovias. Mas enquanto estas obras estiverem em andamento, por onde vamos andar? Quais rotas poderemos usar enquanto houverem os transtornos das obras? Nesse ritmo, um dia a terra há de parar.

Mas nossos governantes não se preocupam com essa situação. Quando o caos se instalar, quando não houverem mais alternativas de locomoção, os atuais governantes não estarão no poder, então, os que virão que se preocupem com esses problemas. Enquanto isso, a população vai pagando a conta...



sábado, 16 de abril de 2011

A QUEDA DOS GUERREIROS

Em menos de um mês, perdemos dois verdadeiros guerreiros. Um conhecido por todo o Brasil, o ex vice presidente José Alencar, e outro conhecido dentro da Aes Sul, o Marcos Silva.

Os dois são verdadeiros guerreiros, porque lutaram contra a morte, e não desistiram nem baixaram a guarda jamais. Alguns críticos afirmam que José Alencar sobreviveu por mais tempo por ter a oportunidade de ser tratado com os melhores medicamentos e médicos do mundo. Acredito que isso tenha ajudado, mas não acredito que seja só isso. Marcos também teve acesso aos melhores médicos do Rio Grande do Sul, já que esteve seis meses internado num dos melhores hospitais do estado, o Mãe de Deus.
Mas acredito que o que lhes deu sobrevida foram, em ambos os casos, o otimismo, o amor pela vida quer eles sempre demonstraram. Alencar sempre que saía de um novo tratamento estava sempre sorrindo e brincando. Marcos, a cada recuperação, sempre disposto e atencioso com todos.
Tenho uma vizinha que também é um exemplo de vida. Não tem os mesmos recursos de José Alencar, nem o plano de saúde de Marcos, mas tem a mesma garra, a mesma sede de vida, o mesmo otimismo e sorriso no rosto. Ela já enfrentou um câncer de mama, várias cirurgias, tratamentos de quimioterapia e agora luta novamente contra outro câncer, mas seu otimismo permanece intacto.
Vemos diariamente notícias de pessoas que tiram suas próprias vidas por motivos fúteis, como desilusões amorosas, traumas ou coisas afins. Quando estiveres deprimido, vá até um hospital e veja o exemplo de outras pessoas que lutam desesperadamente por sua saúde.
Infelizmente José Alencar e Marcos Silva se foram, mas essas pessoas são exemplos para nós, que muitas vezes desistimos na primeira queda. Essas pessoas são verdadeiros guerreiros, que não desistem de suas metas, que as vezes até tombam, mas sempre levantam e dão a volta por cima, que lutam pelo dom maior que temos: A vida!

domingo, 20 de fevereiro de 2011

POLITICAR

Estou com um novo blog, o politicar. Ele trata de política, e é feito por mim e mais dois amigos. não deixem de conferir. acessem: http://politicar2011.blogspot.com

POLITICAR

Politicar é um neologismo, que significa verbalizar o termo "politica", ou seja, por em prática a politica no dia a dia, de forma consciente, racional e impessoal. Significa trazer a politica ao seu cotidiano, discutir, questionar, debater o seu impacto na vida diária ou num futuro próximo. Refletir os meandros políticos dentro da sociedade.


Politizar é preciso, vivemos numa nação de alienados políticos, que pensam, erroneamente, que a política não é feita no dia a dia. Quando passamos por um buraco na rua, e cobramos seu conserto, estamos fazendo política, pois estamos cobrando aqueles que elegemos a fazer o seu trabalho que é pago- e muito bem pago- por nós.

Porque acreditamos que a política não se discute? Se discute sim, e muito. Essa ideia foi introduzida pelos próprios políticos, para não terem seu trabalho questionado. Você não discute futebol? Futebol envolve paixão e, por isso, por mais argumentos que você utilize, nunca vai fazer com que aquela pessoa deixe de gostar do seu clube. Entretanto, em meio a esses debates, você pode gostar mais ou menos de determinado esquema tático, entender a função de um determinado jogador, compreender melhor ou concluir que determinado técnico é um gênio ou um burro mesmo. Futebol é paixão, e ainda assim discutimos. Política é razão, embora alguns encarem como paixão, mas acima de tudo é razão, e razão se debate, se discute, se argumenta.

Quando você questiona porque seu bairro está do jeito que está, porque o posto de saúde da sua rua não tem médico, porque paga tanto imposto, nesse momento você está fazendo política. Quando essas questões são discutidas com seus vizinhos, seus amigos, você está politicando, quando você leva essas questões aos verdadeiros responsáveis, você está politicando.

Se o povo começar a debater e compreender melhor o que acontece no meio politico, logo vai questionar as decisões tomadas, os projetos não votados ou mal elaborados, os benefícios que nossos políticos tem. E isso seria um terror para eles.

E isso é o que tem de acontecer. Temos de ter mais consciência politica e cobrar aqueles que nos representam, de forma mais efetiva e ativa. Só assim poderemos ter a esperança de um futuro melhor.



“A maior ambição revolucionária

É ver o povo liberto de sua alienação”

Che Guevara

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O MUNDA DÁ VOLTAS

Um grande amigo e meu compadre brigou com a esposa, mas está esperando um novo filho. Já não tem mais certeza de seu amor por ela, que até ontem era certo e incondicional. Uma grande amiga terminou um namoro, mas já está engatilhando um novo relacionamento. Seus planos de casamento, de mudar-se para São Paulo agora são coisas do passado. Liguei para outra grande amiga que estava de aniversário e há muito tempo não nos vemos, e prometemos nos encontrar mais nesse ano. O que era uma amizade a distância pode voltar a ser pessoal novamente.


Esse meu compadre fez um comentário do meu ultimo post que me levou a refletir sobre isso, as voltas que o mundo dá. Esses três exemplos mostram como as coisas estão sempre mudando, a cada instante. Para o bem ou para o mal. Sei que isso é uma coisa óbvia, mas muitas vezes não enxergamos o óbvio. Onde estarão eles daqui um ano? Terão resolvido seus problemas? Terão arranjado novos problemas?

A vida é um caminho cheio de meandros, por mais que planejemos onde e como queremos estar, nunca teremos certeza. Pode ter certeza disso. E talvez esse seja o grande barato da vida: Não haver certezas, saber que tudo sempre poderá, e irá, mudar, sempre! Saber que as nossas convicções de hoje poderão ser dúvidas amanhã, e que nossas certezas já não serão tão certas. O que nos faz feliz hoje pode nos deixar insatisfeitos amanhã. Passaremos por fases que nos farão mudar, para melhor ou pior, mas o certo é que seremos outra pessoa num futuro próximo.

Seremos outra pessoa e não seremos ao mesmo tempo, isso porque apesar de tudo, nosso caráter será sempre o mesmo. Isso começa a ficar complexo. Amanhã seremos outra pessoa totalmente diferente, mas o mesmo de sempre.

Bom, o certo é que a única certeza é de que poderemos sempre recomeçar, nunca é tarde para fazer um novo caminho. Dizem que a única certeza da vida é a morte, discordo. A única certeza são as incertezas da nossa vida! E a morte também.

Mas isso é bom, de certa maneira, a dúvida e a insatisfação é o que nos move, o que nos faz buscar novos horizontes, novos desafios, novas realidades para a nossa vida. Talvez as surpresas que a vida nos reserva não sejam tão boas, como uma doença, a perda de um ente querido, mas tudo sempre serve para, ao menos, algum tipo de aprendizado para aqueles que estão dispostos a aprender.

Não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, já dizia Machado de Assis. Então o jeito é encarar a realidade e curtir a vida, por mais percalços que ela ofereça. O tempo cura tudo, a dor insuportável de hoje será só uma lembrança amanhã. Só não deixe de curtir cada momento da vida.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

CONTOS

Para quem lê este blog há um pouco mais de tempo sabe que antigamente eu tinha um blog de contos. Ele não deu certo, por vários motivos, mas principalmente por duas causas principais: A falta de talento deste que vos escreve e da falta de tempo deste mesmo.

Más  as vezes bate uma saudade, uma nostalgia... então publico um dos contos que escrevi... abraços!

Ele se chamava Pedro. E era o maior conquistador da faculdade. Tinha uma extrema facilidade em encantar, seduzir mulheres. Não era belo, mas feio também não era. Talvez fosse seu olhar: firme, penetrante, intenso. Ou então sua conversa, que era envolvente, quase irresistível. Era ousado, tinha atitude, sempre bem disposto, bem arrumado. Sabia exatamente onde investir para conseguir mais uma conquista.

Suas preferidas eram as comprometidas. Ele visualizava sua “vítima” e logo traçava uma estratégia para conquistá-la. Analisava seu comportamento, seus gestos. Aproximava-se da menina e puxava algum assunto, e logo começa uma conversa, e aí ele descobria o que ela pensava, o que gostava, e, principalmente, o que queria para sua vida. Com um papo bem despretensioso descobria onde o namorado da moça estava falhando, pois sabia que nenhum relacionamento era perfeito, sempre havia um ponto fraco, e aí com o tempo investia pesado nesse ponto, até consumar sua conquista.


Mas não o fazia por mal, por vaidade. Não buscava somente sexo, ou um nome a mais na sua lista. Todas as mulheres que seduziu, ele estava apaixonado por ela. Seu defeito era apaixonar-se com extrema facilidade, a cada semana, e aí era uma nova conquista. Um simples olhar, um sorriso, um cabelo bonito já o deixava caidinho pela guria. E aí não tinha jeito, era mais uma missão a realizar.


Mas tinha uma coisa que lhe incomodava: Ele não conseguia manter relacionamentos estáveis. Pedro conquistava a garota, ficava umas duas ou três vezes com ela e depois perdia o interesse. Por mais bonita, simpática, interessante que fosse a garota ele perdia o ânimo em estar com ela. E isso começou a lhe incomodar, os anos estavam passando e ele nunca tinha namorado mais do que três meses com uma mesma garota. Queria mudar isso, queria algum relacionamento estável, mas não conseguia controlar sua fraqueza em conquistas.


Quando realizou mais uma sedução, decidiu que aquela seria a última, que controlaria seus instintos e ficaria somente com ela. Até porque tinha sido uma batalha bem difícil, pois a menina era noiva e amava muito o noivo. Mas ela não resistiu as investidas de Pedro, e apaixonou-se perdidamente por ele.

Cinco meses se passaram e Pedro estava conseguindo manter seu planejamento. Já não tinha mais o interesse inicial que tivera pela garota, mais mesmo assim era feliz com ela. Tinham um relacionamento intenso e bem bacana. Apesar de não amá-la sentia-se bem ao seu lado, e preocupava-se muito em fazê-la feliz também. Talvez para conseguir manter seu projeto, talvez para que não viesse outro e tirar-lhe dele.


Um ano se passou e seus amigos estavam incrédulos. Finalmente alguém tinha dobrado seu coração. Ele concordava quando diziam isso, mesmo sabendo que não era verdade. Às vezes pensava se deveria continuar com o namoro, já que tinha cumprido sua meta. Mas já tinha se acostumado com uma relação estável, e não estava mais a fim de voltar a ser reconhecido como um conquistador. Já pensava em construir família, filhos, casamento.


Aos poucos aquele Dom Juan que fora um dia já não se identificava nele. Não tinha mais aquele olhar hipnotizante, mas um olhar vazio, melancólico. Sua conversa não era mais envolvente, irresistível, mas entediante e repetitiva. Nunca fora bonito, mas agora estava barrigudo, com olheiras, com a barba por fazer. Não tinha mais atitude, estava acomodado. Já não era mais o que fora um dia. Mas mesmo assim sua garota continuava linda como antes, e o amando do mesmo jeito de quando se conheceram.

Com o passar dos tempos foi acontecendo uma coisa que lhe deixou feliz. Estava começando a “reapaixonar-se” pela sua, agora, noiva. Foi acontecendo de repente, aquela vontade que tinha de largar tudo e partir para uma nova conquista foi desaparecendo aos poucos, quando se deu por si, a única mulher que pensava, que desejava, era a sua.


Até que um dia, poucos dias depois de completarem três anos juntos, ela chegou para ele e disse que queria ter um assunto sério. Ele logo imaginou que ela queria marcar o casamento. Sim, era o que ele mais queria, casar-se com o seu amor e ter muitos filhos.

Estava radiante para a conversa. Até que ela aproximou-se dele e falou o que era: Ela já não o amava mais, fazia algum tempo, e conheceu recentemente um outro rapaz que a seduziu, e ela estava perdidamente apaixonada por ele.


- Mas como assim, indagou Pedro! - E o nosso noivado, e o nosso relacionamento? Investi tudo em você, deixei dezenas de garotas para ficar só contigo! Mudei meu modo de ser, mudei minha vida para dedicá-la a você e agora tu vem me dizer que está tudo acabado ? O que eu vou fazer da minha vida, preciso de você!


Mas não teve jeito, ela estava apaixonada por outro e decidida a terminar seu relacionamento com Pedro. Confessou a ele que ela era assim mesmo, gostava de namorar sério, mas quando noivava acabava perdendo o interesse, o ânimo com o rapaz. E repentinamente tinha conhecido outro homem e acabara apaixonando-se por ele. Mas dessa vez seria diferente, estava decidida a namorar, noivar com o outro e continuar com ele. Já estava tudo planejado.


Pedro acabou sentindo na pele o mesmo que fizera a suas antigas conquistas, com a diferença de que as mulheres são mais fortes que os homens. O feitiço tinha virado contra o feiticeiro, foi envenenado pelo mesmo veneno que utilizava. Já não sabia mais seduzir, já não tinha mais um papo agradável. Acabou se desiludindo com a vida, se entregando a bebida. Nem de longe lembra mais aquele que já fora o maior conquistador da faculdade!


Leandro Luz

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

PERSONAS 1- ALAN, O ALIENADO

Alan, o alienado. Pit-boy bombadinho. Seu maior sonho é participar do big-brother, ou algum outro reality qualquer que o deixe famoso sem ter de fazer nada de importante. Os únicos músculos que se preocupa são os bíceps e os tríceps, já o cérebro não precisa exercitar.,



Alan, o alienado, foi assistir a “Tropa de Elite 2”. Ele não gosta de filmes nacionais, mas como achou bom o primeiro filme, abriu uma exceção e foi assistir a continuidade do longa. Mas se decepcionou. Achou que encontraria uma história repleta de cenas de tiros, brigas, tapas na cara, gritos de “pede pra sair” e torturas com sacos plásticos. Boa parte desses ingredientes continuam presentes, mas o que decepcionou Alan, o alienado, foram as partes mais introspectivas desse novo trabalho.


Ele não entendeu muito das referências que o filme trás, como o burguês defensor dos direitos humanos, ou o apresentador sensacionalista e oportunista, tampouco achou graça dos políticos que desfilam ao longo da história. O que os políticos teriam haver com o tráfico ou com as milícias no Rio de Janeiro? O que as eleições e as buscas desesperadas e inescrupulosas de votos tem com o contexto da trama? Para ele, e talvez só ele e outros iguais, nada.


Mas para Alan, o alienado, a pior parte do filme foi o final. Só reconheceu que a cena estava mostrando Brasília porque uma pessoa na poltrona ao lado comentou alto. E o que Brasília tem com a violência no Rio? Infelizmente Alan não captou a essência do filme, nem a mensagem que ele trás. Mas tudo bem, ele é um alienado mesmo, mas que vota e ajuda a eleger personagens do filme que estão na vida real aos montes, mas que ele nem percebeu no filme. Agora Alan decidiu, só vai assistir a filmes americanos.

sábado, 30 de outubro de 2010

DOM QUIXOTE



Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos mas sempre no horário
peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça.


(...) vaidades que a terra um dia há de comer.
Ás de espadas fora do baralho (...)


Por amor às causas perdidas...
Tudo bem...até pode ser
que os dragões sejam moinhos de vento (...)


Ao analisar a vida e o cotidiano, muitas vezes me identifico com frases dessa música, linda aliás. Quando lemos os noticiários políticos, por exemplo, onde se veem deputados, senadores, governadores roubando aos montes, e não acontecendo nada com eles, ou pior, sendo reeleitos novamente e repetindo aquele velho discurso: “O povo fez a justiça, o povo sabia da minha inocência e demonstrou isso nessa eleição” ou discursos parecidos. Se um dia cruzar na rua com esses políticos, ou algum deles vir apertar minha mão, serei educado: “Muito prazer, meu nome é Otário!”.

Outra situação que identifico nessa música é na estrofe que diz: “Na ponta dos cascos e fora do páreo / puro sangue, puxando carroça”. Encontramos centenas de pessoas geniais, fantásticas, inteligentíssimas, desperdiçando seu intelecto em atividades banais. Verdadeiros puro sangues puxando carroças. Se vê muito disso em fábrica, onde a inteligência da pessoa nem sempre é aproveitada, onde apenas se faz um trabalho repetitivo, o dia todo, tornando-se um processo automático, deixando a sua inteligência em segundo plano. Aliás, para eles isso é até bem vindo, posto que raciocinando, o operário logo verá que ganha um salário miserável enquanto o patrão enriquece cada vez mais as suas custas. Então exige-se uma produção absurda, deixando o trabalhador exausto e sem forças para questionar sua situação. Quando encontrar meu patrão pela fábrica, vou cumprimentá-lo: “Muito prazer, meu nome é Otário!”

“Vaidades que a Terra um dia há de comer”. De que adianta ser tão vaidoso, privilegiar o ter ao invés do ser, exibir suas riquezas, suas posses, suas falsas amizades, suas roupinhas de luxo ou o último celular da moda, se o mais importante, que é o caráter, o respeito, a dignidade, a pessoa não tem? Ao encontrar com essa pessoa, serei educado: “Muito prazer, meu nome é Otário!”

“Tudo bem, até pode ser / que os dragões sejam Moinhos de Vento”. Tudo bem, até pode ser que isso não seja uma situação tão importante, que sempre aumentamos nossos problemas, que talvez nossas dificuldades não sejam tão grandes quanto acreditamos. Se você acredita no que escrevi, se dá mais valor a vida do que aos bens, parabéns, talvez sejamos “peixes fora d’água, borboletas no aquário”, e talvez até não seja tão ruim ser um “otário” na visão das pessoas alienadas. Então, quando você me encontrar, me cumprimente e seja educado: “Muito prazer, meu nome é Otário”!

Agora curta a música na íntegra e delicie-se!